out 17 2014

As dez causas mais comuns de fracasso em projetos

por Joel Solon Farias de Azevedo, PMP, CBPP

As dez causas mais comuns de fracasso em projetos

As dez causas mais comuns de fracasso em projetos

Projeto é uma intervenção na realidade para melhorá-la, realizado por pessoas e com objetivos e recursos específicos num determinado tempo. Simples, não?

De jeito nenhum. Aparentemente sim, mas o gerenciamento de projetos esconde diversas armadilhas para os mais novos, menos experientes ou mais afoitos.

Gestores de processos acostumados com a rotina e a previsibilidade podem se dar muito mal ao assumirem um projeto com deficiências na sua definição e no planejamento.

Agora, trazendo para a realidade do Brasil: de regra as organizações ainda subestimam ou não tem mesmo os processos destinados à gestão da mudança e da inovação. Exemplo? A maior parte das organizações já concorda que necessita de metodologia e documentos padronizados para o gerenciamento de projetos, mas não tem processo sistematizado de ponta a ponta do processo de mudança.

O processo de gestão da inovação tem diversas etapas anteriores à execução do projeto: processo de identificação de necessidades; processos de geração de ideias; processos de análise de viabilidade das ideias; processos de elaboração de propostas; processo de coleta de propostas; processo de premiação de propostas viáveis; processo de seleção de propostas viáveis com critérios alinhados ao negócio; processo de aprovação de projetos; processo de autorização de projetos.

Sabendo do efeito da ausência dos processos de gestão efetiva da inovação nas organizações, listamos abaixo as dez causas mais comuns de fracasso em projetos:

  1. Escolha do projeto errado.

A pior coisa que pode acontecer. Peter Drucker dizia que não há nada pior do que fazer algo que jamais deveria ter sido feito. Simples, porque a organização deveria estar fazendo outra coisa para garantir a sua sustentabilidade e ficou perdendo e gastando dinheiro e tempo fora de foco.

  1. Escolha do escopo inadequado ou insuficiente.

Processos fracos combinados com critérios idem resultam na escolha de propostas com escopo inadequado ou insuficiente para alcançar os resultados desejados.

  1. Escolha do gerente errado.

Critérios falhos podem permitir a escolha de gerentes de projetos com base na experiência da gestão de processos ou com base no conhecimento técnico, em detrimento das habilidades de liderança e de negociação e comunicação. E o perfil muito técnico ou muito orientado à rotina costuma funcionar como uma barreira à visão de fora para dentro e à inovação.

  1. Escolha das pessoas erradas.

Projeto exige perfis diferentes em momentos diferentes. Na fase de planejamento o requisito principal é a competência analítica, a capacidade de identificar e balancear requisitos, necessidades e resultados. Na fase de execução o requisito principal é gerenciar atividades, terceirizadas ou não. Projetos exigem competências muito específicas que normalmente não são atendidas pelas pessoas que trabalham na área afetada, e este conhecimento tem que ser buscado fora da área e fora da organização, de forma temporária.

  1. Desperdício de oportunidades.

Gerente e equipe de projetos sem visão ampla do negócio e do mercado da organização desperdiçam oportunidades simplesmente por não as enxergarem ou por terem muita pressa na execução do que foi planejado. O ambiente muda muito rapidamente e de uma semana para outra talvez tenhamos que mudar tudo em um projeto, visando adequá-lo a uma nova necessidade identificada ou mesmo aproveitar uma janela de oportunidade que se abriu.

  1. Negligência de riscos negativos reais.

Ideias vagas ou propostas não viáveis aprovadas como projetos sem estudo de caso, tudo isto potencializa ao máximo os riscos negativos e expõe a organização a riscos desnecessários.  Ao contrário, projetos viáveis têm diversas formas de serem executados com contingência para alcance dos resultados.

  1. Descumprimento de padrões mínimos.

Hoje em dia todo produto ou serviço tem padrões mínimos requeridos pelo seu público, pelo menos aqueles básicos de tempo de entrega, custo razoável, funcionalidade. Projetos mal planejados normalmente têm sérios problemas na execução e cumprimento de padrões, às vezes nem documentados no planejamento.  E o cliente descobre da pior maneira possível que não vai receber nem o mínimo, o piso, justamente na hora que deveria receber.

  1. Interesses não atendidos.

Processos falhos de identificação de expectativas e coleta de requisitos associados com negligência nos processos de comunicação com as partes interessadas o tempo todo resultam em interesses não atendidos no todo ou em parte, por parte de patrocinadores ou não. Isto traz um sentimento de frustração muito grande para ambos os lados, de quem fez errado, na maior parte das vezes até de boa fé, e de quem aguardava pelo resultado, que não vai acontecer.

  1. Atraso nas entregas dos resultados.

Somente resultados e atendimento de necessidades, gostos e desejos justificam a execução de um projeto. E infelizmente muita gente ainda confunde meio com fim.  Exemplo? A caravela que foi construída para a festa de 500 anos do descobrimento do Brasil, mas que foi entregue com quatro meses de atraso. Bem depois da festa.

  1. Acréscimo desnecessário de custos.

É o que chamamos de custo da não qualidade. Sempre que falhamos na análise ou na decisão ou ela é intempestiva, automaticamente estamos atrasando a solução e acrescendo custos e atrasando receitas.

É a máxima de que sempre, mas sempre mesmo, é melhor prevenir do que remediar. Gerir é tomar decisão o tempo todo e na hora certa. E talvez não exista pior decisão do que a não decisão, ou a decisão postergada, procrastinada, deixada para depois, um hábito brasileiro. Só que este comportamento em projetos pode ser fatal.

Joel Solon Farias de Azevedo é Sócio-diretor da eADPro Desenvolvimento Gerencial e da ProValore Consultoria de Gestão

 

Fonte: http://www.canaldaestrategia.com.br/?p=4702

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out 16 2014

Menos publicidade e mais relações públicas

Menos publicidade e mais relações públicas

Menos publicidade e mais relações públicas

O sistema puxado do Lean tem sido aplicado por várias décadas, mas continua pouco entendido e utilizado na prática comercial. Ainda é comum a busca por influenciar a atitude das pessoas para que comprem ou aceitem aquilo que a organização tem a oferecer, empurrando produtos e serviços fomentando o consumismo. Aqui entra a publicidade que muitos entendem como sinônimo de propaganda, um instrumento de manipulação de comportamento para que pessoas sintam necessidade por algo que ainda não sentem.

O mercado de publicidade prosperou por várias décadas como decorrência do domínio dos meios de comunicação em massa. Contudo, os gloriosos dias da publicidade massificada começaram a fazer parte do passado com o avanço inexorável da conexão digital em rede – pessoas passaram a buscar o que querem e quando querem sem a necessidade de alguém que lhes conduza. Mesmo o crescimento da propaganda online que tem desviado recursos de outros veículos (jornal, rádio, TV, cinema, outdoor, revistas, telemarketing) não garante a subjugação das pessoas, pois elas podem ignorar ou anular a presença de anúncios,banners e mensagens comerciais.

Quando alguém necessita comprar um liquidificador, o que faz? Entra no Google e pesquisa modelos e preços, avalia comentários de outros clientes, seleciona a oferta que melhor lhe atenda, fecha o pedido e aguarda a entrega. No que a publicidade ajudou nisso? O mesmo vale para praticamente tudo, desde reservas de hotéis e passagens aéreas até aquisição de um novo conjunto de sofás e tapetes para a sala. Estar no controle é importante para quem prefere fazer as coisas ao seu modo e próprio tempo com flexibilidade. Não apenas por meio do líder Google, mas igualmente pelo Youtube, segundo maior mecanismo de busca que disponibiliza a cada minuto 100 horas de vídeo (Youtube Statistics, 2014).

A Blendtec é uma dessas empresas que fabricam liquidificadores e Tom Dickson, fundador da empresa, sempre foi desafiado sobre a robustez de seus produtos e se eram fortes o suficiente para triturar alimentos. Foi então que teve a ideia de triturar todo tipo de coisa, incluindo smartphones, tacos de bilhar e canecas. Com sua série viral de vídeos “Will it Blend?” no Youtube alcançou dezenas de milhões de visualizações passando a ser considerada uma das maiores criações de marketing indireto das últimas décadas. A Blendtec não pagou espaço publicitário e nem tentou empurrar seus produtos para o público, em vez disso criou interações divertidas que proporcionava valor às pessoas, comprassem ou não os liquidificadores.

Assim como a Blendtec substituiu publicidade paga por relações públicas gratuitas, as organizações terão de buscar alternativas para se manterem como opções prioritárias nas mentes das pessoas.

A publicidade do boca a boca que reinou por séculos até ser destronada pelos meios de comunicação em massa retorna com força pelo poder da interação digital. Pessoas tendem a confiar mais na avaliação feita por outras pessoas do que na publicidade. Quanto mais se interconectam, mais rapidamente remete ao colapso modelos de negócio baseados na premissa do empurrar. A era das organizações imporem seus produtos e serviços está ficando para trás. Em vez de serem empurrados, produtos e serviços passarão a ser puxados pelos clientes.

© José Davi Furlan

13/10/2014

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out 16 2014

Mapeando emoções na jornada do cliente

Mapeando emoções na jornada do cliente

Mapeando emoções na jornada do cliente

Matt Watkinson sugere mapear a jornada do cliente em dois níveis, etapas e passos, para permitir uma melhor visão da experiência do cliente. Cada etapa pode ser subdividida em uma sequência de passos a fim de se compreender eventos e interdependências, bem como a ordem correta do fluxo da experiência. Supondo a criação de um mapa da jornada para uma viagem aérea, poderiam ser consideradas pelo menos as seguintes etapas:

  • Planejamento da viagem. Cliente decide viajar em uma determinada data para um determinado lugar
  • Busca da melhor tarifa. Pesquisa a melhor opção entre as opções disponíveis
  • Aquisição da passagem. Efetua a compra utilizando a forma e meio de pagamento preferido
  • Preparação da mala. Seleciona a roupa e acessórios de acordo com a duração da estadia, código de vestimenta e condições meteorológicas do destino
  • Ida ao aeroporto. Decide sobre a melhor forma de se deslocar para o aeroporto de embarque
  • Realização do check-in. Faz o check-in, confirma a poltrona e despacha malas
  • Ingresso na área de embarque. Passa pela área de segurança e encontra o portão de embarque
  • Aguardo do embarque. Aguarda chamada na sala de embarque
  • Embarque. Embarca no avião quando é chamado
  • Realização do voo. Aguarda o tempo necessário para a viagem completar respeitando as normas de conduta em voo
  • Desembarque. Chega ao destino e desembarca do avião
  • Coleta das malas. Retira malas na esteira da área de desembarque e sai para o saguão
  • Recepção. Eventualmente algum amigo, parente ou receptivo o aguarda
  • Saída do aeroporto. Deixa o aeroporto utilizando um meio de transporte terrestre disponível
  • Chegada ao destino final

As etapas em negrito são, na visão de Watkinson, as que têm recebido maior investimento por parte das companhias aéreas. As demais etapas, contudo, apresentam excelentes oportunidades para melhorar a experiência, tais como informar com antecedência as condições do voo para tranquilizar que não há problemas previstos, que os aeroportos estão operando normalmente ou ainda como minimizar efeitos colaterais caso algum problema esteja previsto.

O objetivo é preencher a jornada com emoções positivas inibindo o surgimento de emoções negativas. As pessoas tendem a assumir um estado emocional de raiva quando são bloqueadas de alcançar seu objetivo, em vez de desistirem, colocarão mais energia e tentarão com mais força utilizando desde comentários negativos e violência até ações judiciais. Evitar ou promover estados emocionais resultará em tendências de ação distintas.

Tabela – Emoções negativas x positivas

Tabela – Emoções negativas x positivas

Mesmo oferecendo os melhores processos, as melhores tecnologias e praticando as melhores políticas, um serviço de categoria superior requer uma estrutura mental centrada em cliente com instrumentos e incentivos adequados para rapidamente tratar feedbacks. Clientes irão tolerar erros se perceberem que a organização os trata de boa fé e consideração.

Quando uma organização, seus produtos e serviços recebem avaliação positiva e fidelização, é fundamentalmente resultante de práticas que levaram à maximização de emoções positivas e eliminação ou redução de emoções negativas. Entretanto, é importante entender que apelo emocional não é substituto para funcionalidade. Muitas organizações fracassam porque criam forte apelo emocional, mas o produto ou serviço não entrega o que promete.

© José Davi Furlan

09/10/2014

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out 16 2014

Criando uma capacidade multicanal

Criando uma capacidade multicanal

Criando uma capacidade multicanal

Oferecer produtos ou serviços em módulos pequenos e conectáveis como blocos de lego tem sido uma estratégia que beneficia tanto as organizações quanto os clientes. A modularização permite escalonar a complexidade e a extensão da oferta sem a necessidade de substituir algo como um todo. Clientes podem configurar o que querem para atender situações particulares e as organizações podem desenvolver soluções mais simples. Restaurantes self-service seguem esse princípio e geram uma situação ganha-ganha – componentes servidos separadamente habilitam a montagem do produto final pelos clientes.

Mas no século 21 o desafio vai além de prover experiências personalizadas para habilitar a entrega dessa experiência por meio do canal que melhor se ajuste a uma determinada ocasião. Isso requer uma capacidade multicanal, ajustando as operações em forma, conteúdo e interatividade para tratar cada ponto de contato de forma customizada.

Canal é um meio pelo qual clientes tem contato com a organização, seus produtos e serviços. Inclui loja, e-mail, redes sociais, website, aplicativos para smartphone, telefone, catálogos online, vídeos no Youtube

Como não é possível prever o meio pelo qual o cliente fará a interação, pois é ele quem decide o que é mais conveniente, os canais precisam ser desenhados para fornecer a melhor experiência possível. De acordo com um estudo da Deloitte para o segmento varejista em 2010, pessoas que interagem por mais de um canal possuem mais informações sobre os produtos gerando aumento de 82% na demanda quando comparado a pessoas que somente interagem fisicamente em lojas – em geral, possuem mais informações sobre os produtos do que os próprios vendedores que os atendem.

Contudo, uma jornada do cliente que funcione ao longo de múltiplos canais deve estar baseada em oferta de escolhas apropriadas, não de escolhas infinitas. A noção prevalecente de que tudo deve ser oferecido por todos os canais possíveis é incorreta – quanto maiores forem as opções de escolha, maior será o estresse do cliente em decidir o que utilizar e custos para a organização arcar.

O desafio não está apenas relacionado a opções de escolha, mas principalmente à conveniência, reduzindo o esforço requerido. Disponibilizar um serviço 24 x 7 poderá não fazer sentido se os clientes o utilizam majoritariamente das 07h às 23h. É mais uma questão de gerir expectativas do que oferecer opções, removendo incertezas ao longo da jornada do cliente. Trata-se de uma concepção crítica daquilo que é oferecido respondendo às seguintes perguntas: Por que o cliente gostaria de fazer isso nesse canal? Quais são as vantagens únicas que esse canal oferece? É genuinamente mais conveniente ou simplesmente mais uma opção?

© José Davi Furlan

16/10/2014

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out 16 2014

Os “cisnes negros”

Os "cisnes negros"

Os “cisnes negros”

No Natal de 2010 eu coordenava o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – GesPública – e nosso Secretário de Gestão resolveu presentear a todos os diretores da unidade com um livro. Foi quando conheci Nassim Nicholas Taleb e seu excelente “A lógica do cisne negro”.

O nome “cisne negro” decorre da experiência que navegadores experimentaram ao avistar os primeiros animais dessa natureza: o choque foi imenso e se iniciou uma discussão se o paradigma de “todos os cisnes são brancos” teria de ser alterado ou se tais animais não poderiam ser considerados cisnes…

Em outras palavras, um fenômeno do tipo “cisne negro” apresenta três características principais:

– sua ocorrência é imprevisível;

– o impacto por ele causado é imenso, alterando nossa forma de pensar;

– é comum ser seguido de explicações posteriores que procuram demonstrar que ele era menos aleatório e mais previsível que na realidade.

Além de professor universitário, Taleb tem grande sucesso como investidor do mercado financeiro e afirma que seu segredo é atuar de forma diametralmente oposta ao que a maioria das pessoas faz pois, segundo ele, para tratar de “cisnes negros” – como os fenômenos do mercado de capitais -, os modelos matemáticos / sociais e a álgebra utilizada devem ser distintos dos tradicionais. Se é impossível impedir um “cisne negro” de ocorrer, pode ser viável torná-lo “cinza” e aproveitar a maré favorável quando de sua existência. Lembro das palavras de Taleb dizendo ser mais importante ouvir as conversas das pessoas comuns no metrô que acompanhar as newsletters dos especialistas na bolsa. São os cisnes se formando…

Falando de processos e de outras ferramentas de gestão, tenho a certeza de que nossos modelos muitas vezes tentam “revogar a lei da gravidade” ao padronizarem e/ou detalharem a operação de sistemas vivos que estão cheios de “cisnes negros” – portanto, impossíveis de se comportarem como queremos. Se aproveitássemos toda essa energia e conhecimento para discutirmos condições que podem surgir quando da observância do “cisne” e as respectivas ações a serem tomadas, poderíamos ter êxito similar ao do investidor Taleb.

Em uma das passagens do livro, o autor mostra como tentar combater o terrorismo apenas olhando para como foram feitos os últimos ataques pode ser frustrante: dificilmente uma organização tentaria o mesmo padrão novamente – mas foram investidos monstruosos recursos em escudos anti-aéreos em Nova Iorque depois do 11 de setembro.

A boa notícia? Ainda no dia 11 de setembro de 2001, uma organização sediada na segunda torre conseguiu manter a salvo todos os seus funcionários ao buscar um plano de contingência existente em sua prateleira e ao contradizer os avisos da segurança central do prédio. O responsável pelo plano dizia que, “caso um dia uma das torres fosse derrubada” (o “cisne negro”), “as pessoas da segunda torre deveriam deixar imediatamente o local, pois as câmeras de TV – que não necessariamente teriam captado o primeiro ataque – estariam todas voltadas para o prédio, gerando a publicidade que o ato terrorista requeria”.

E em sua organização, você já conseguiu “descolorir algum cisne negro”…?

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